terça-feira, 5 de julho de 2011

Reunião na Câmara, outra vez

    Estou muito em baixo. Muito desmotivada. Desta vez a reunião só trouxe más noticias. Afinal já não posso fazer a minha cozinha na garagem. Segundo os arquitectos, o termo "urbano" tem significados diferentes para as finanças e para os urbanistas. Isto é, apesar de eu ter uma caderneta a dizer que um prédio é urbano, se esse prédio estiver fora do perímetro urbano não consigo licenciar nada. É uma mer...


    Mas há mais... uma alternativa era fazer na casa da minha mãe (que está dentro do perímetro urbano), neste caso, pensava eu, apenas é necessário apresentar os documentos que aparecem na legislação dos estabelecimentos industriais (que já são bastantes), pensava eu, que como não ia alterar potencias eléctricas, nem gas... que não seria necessário apresentar todos. Errado. Apesar de não haver alterações tenho de apresentar todos os solicitados e ainda mais alguns que a Câmara pede, pior, tem de ser um técnico a apresentar. E ainda tenho de ter outro contador de luz, de electricidade... Mesmo sendo um estabelecimento industrial dos mais simples, com limitações de potencia e quantidades produzidas, tenho o mesmo trabalho que licenciar um tipo estabelecimento tipo 3 normal, sem qualquer limitação. Isto não tem sentido nenhum.

    Estou eu disposta a assumir os riscos de montar um negocio, de não ter ferias nos próximos anos, de passar noites sem dormir, de lidar com clientes, de trabalhar que nem uma louca, de assumir responsabilidades nas finanças e segurança social e não chega. Tenho de ser especialista em burocracias. Sugestão: balcão único para isto. (o portal da empresa não tem tudo, apenas a parte industrial, falta a câmara, mais a entidade que regula a actividade, mais a conservatória, a segurança social, as finanças...)

    Mas ate encara isto tudo, mas não tenho capital suficiente, com estas alterações fica muito caro. Era necessário tornar a produção de doces mais industrial, aumentar a produção, comprar fruta, deixar de ser eu a controlar o processo (para fazer gestão), aumentar os preços e isso é ir contra tudo o que diferencia o meu produto. Recuso-me.


(Preciso de uma luz que me indique o caminho. Luz que até hoje não falhou.)

10 comentários:

horticasa disse...

Meu Deus rapariga, faz e vende pela porta do cavalo, vamos todos fazer parte da economia paralela...
É o que dá vontade, mandar tudo àquele sitio.
Tem paciência...
bj eugénia

Anónimo disse...

Boa tarde:

O meu nome é David Almeida, e tenho seguido o teu blogue há já algum tempo e com muito prazer.
Tive há uns tempos atrás (e ainda tenho) a mesma ideia de que tu tiveste. Fui ver muito detalhadamente umas produções de doces no norte (Bragança, Viseu e Guarda) e pude constatar, ao falar com as pessoas, de que as câmaras locais, ao inverso da tua, nunca complicaram, e muitas vezes ajudaram/facilitaram.
Exemplos (entre muitos) que pude constatar:

- Uma destas produções, tem a cozinha num anexo da casa (doces da Puri) e a Câmara mesmo tendo conhecimento nunca complicou;
- Outra produtora, no início fazia os doces na cozinha de sua casa, e desde o início que a própria Câmara, lhe compra os doces para vendê-los nos Postos de Turismo (sabores da Geninha). Há algum tempo, com a ajuda da Câmara, que disponibilizou um terreno, criaram de raíz uma cozinha e diversos anexos.

- Em ambos os casos, a ASAE, nunca complicou e como me disseram, muitas vezes aconselharam e nunca multaram.

- Poderia continuar a dar muitos exemplos mas estaria aqui a noite inteira....

Acho muito sinceramente de que a tua Câmara não precisa que se criam empresas e empregos na zona. Acho também e muito sinceramente de que os tais técnicos que têm que apresentar as alterações de que te referes devem ainda por cima trabalhar na Câmara.

Não desistas dos teus sonhos, e se quiseres um conselho aqui vai: Para começares o teu sonho não precisas de dizer tudo à Câmara, e se vês que te impoêm obstáculos, avança de qualquer maneira!

Boa noite

horticasa disse...

Eu concordo com este anónimo.
Acho que na tua câmara devem ter algum amigo que anda a pensar no mesmo que tu, e então complicam-te a vida para favorecer o amigo...
Não duvides, só pode ser sabotagem, avança com calma e vais ver que miguem se vai opor...
bj eugénia

Ana Mourão disse...

E eu não disse... a luzinha sempre apareceu. Muito obrigada David e Eugênia. As vossas mensagens fizeram-me lembrar uma frase que um dia um ministro disse na tv "1º legaliza-se a marquise, depois constrói-se o prédio".
Custa-me seguir o caminho que sugerem mas parece que para continuar não tenho muitas alternativas.
Estive a trabalhar no meu pomar (é como organizo as ideias, curo o stress e arranjo animo) e já estou delinear novo plano: vou ao Min. Agricultura porque é ele que tutela os doces, e vou ver o que eles dizem. Depois vou falar com a ASAE, para saber o que eles exigem. Entretanto vou entrar em contacto com outras produtoras de doces para ver como fizeram.
Agradeço muito o apoio, vocês e as encomendas dos amigos dos amigos que vão chegando deram-me força para continuar. Estão convidados a visitar a quinta e provar os doces.
Ana
David, como vai a ideia de negócio, o que o limita?

Kastanon disse...

Cara Ana,

Não recomendo fazer as coisas à margem da lei. Pode parecer mais fácil, muitas vezes até passa. Mas naquela pequena percentagem que não passa, as chatices (e os CUSTOS) são muitos.

Ao invés de falar com as entidades públicas (o que é um PERIGO, porque hoje dão-lhe uma informação, uma certeza e amanhã já ninguém lhe disse nada... e ainda que o tenham dito, também não fica legal por isso), procure pagar uma consulta num advogado que perceba de direito administrativo/licenciamentos administrativos.

Senão, quando voltar de férias (lá para meio de Agosto), vou ver se a consigo auxiliar.

Ana Mourão disse...

Entidades públicas...
Não desisti de legalizar. Comecei agora a falar com a Direcção regional de agricultura (são eles que legalizam) para ver soluções. Estou à procura de associações que também ajudem e a cuscar Câmaras que tenham "cozinhas regionais" e que tenham interesse nestes negócios para ver como é que eles fazem. Entretanto o ideal era a C. do Cartaxo concluir o PDM para eu fazer a cozinha no meu terreno. Para a semana vou voltar ao IEFP ver se eles já mudaram de atitude e se ficaram mais prestativos.
Este é o verdadeiro problema das entidades públicas, falta de profissionalismo, atendem as pessoas conforme a sua disposição e vontade, não há uniformidade, é uma questão de sorte.
Vamos ver se tenho sorte.
Ana

Anónimo disse...

Bom dia,

Descobri hoje este blog o que foi uma agradável surpresa.

Ana... estou também a tratar dos processos burocraticos para avançar com o meu negócio (faço produção caseira de licores e doces), no que respeita aos doces já ultrapassei todos os obstáculos.

1ª questão faz intensão de exceder os 5.000 kg de doces por ano? se não tiver. Basta abrir actividade nas finanças com o código CAE 10393
(Fabrico de Doces, Compotas, Geleias e Similares, fica isenta de IVA até uma facturação de 800€ mensais. Depois junto da câmara pede apenas o licenciamento para uma Unidade Produtiva Tipo 4 (REAI).

Se tiver já o Cartão de Cidadão vale apena adquirir um leitor (16€) e fazer o pedido através do Portal da Empresa. https://www.portaldaempresa.pt/CVE/Services/LicIndustrial/Simulador/LISM0100_TipoPedido.aspx

No fim paguei apenas 56€ e obtive a licença de produção.

Se precisar posso enviar toda a legislação inerente ao processo, uma vez que ando nesta roda viva já há 1 ano :)

ana.alzamora@hotmail.com

Ana Mourão disse...

Olá Ana,

Obrigada pela visita. Vou mandar-lhe um mail para trocarmos ideias.

Ana

Sentir Portugal disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Sentir Portugal disse...

Sempre conseguiram legalizar o vosso.negócio? Estou a pensar no mesmo, mas produtos diferentes e não sei por onde começar!