sábado, 2 de abril de 2016

Ter ou não ter ovelhas? - parte II

Continuando no tema das ovelhas... Vejam a primeira parte aqui.

A tosquia

A primeira tosquia foi uma tourada.
Combinamos com o senhor que nos ajuda, para vir à quinta tosquiador para fazer a tosquia. Da nossa parte apenas era necessário que as ovelhas estivessem no abrigo. Parecia fácil, mas não foi. Elas não queriam entrar para o abrigo. Tenho de explicar que o abrigo é uma casa de animais que já existia na quinta. Anexa ao abrigo existe um outro espaço que é cercado por uma rede, por todos os lados. O antigo dono criava faisões neste espaço.
Depois de muita luta, conseguimos que elas entrassem para o tal cercado.
Foi desde essa altura que começaram a usar o abrigo, mas apenas nos dias em que chove “canivetes”.
A tosquia tem de ser feita porque durante o verão elas ficam com muito calor. Fazem-se em maio, mais ou menos. Não pode ser muito tarde porque ainda demora a crescer de volta e no inverno faz falta. O tosquiador leva cerca de 3 euros por ovelha e leva a lã.

O nascimento dos gémeos.

Mais umas notas:

Pomar: quando não há flores nas árvores abrimos as portas e elas vão para o pomar. Comem as folhas das árvores e a erva. Se não tivermos cuidado também comem as plantas do jardim. É preciso ter cuidado com as árvores jovens, nessas até os ramos comem. Comem quase todo o tipo de árvores, gostam particularmente de amoreira, mas também comem medronheiro, laranjeiras, pereiras ...

Cães: tínhamos dois cães (2 labradores) quando as ovelhas chegaram. Cheiraram muito as ovelhas mas não permitimos mais "ações" naquele momento. Nunca mais as chatearam, acho que perceberam que não eram para brincar. Actualmente temos outro cão que parece ter uma tendência natural para as perseguir. Nesta altura apenas estamos a permitir que estejam no mesmo espaço quando estamos por perto, porque precisamos de ensinar a cadela nova quando deve parar.

Cercado: temos o terreno morado. As ovelhas têm muro para o lado de fora e cerca para o lado de dentro. Aqui na terra já ouvi historias de um grupo de cães vadios que atacou um pequeno rebanho que estava num cercado mais frágil. Entretanto o grupo de cães já não anda à solta. É preciso ter em conta a segurança dos animais e apostar numa boa cerca, principalmente se à noite os animais ficam na rua. Nem todos os cães são amistosos.

Estrume: uma vez que elas não usam o abrigo, não conseguimos fazer um monte de estrume, em vez disso o estrume é espalhado directamente pelo terreno. Por outro lado também não temos que o limpar. 

Sal: sei que alguns animais precisam lamber sal, como parte da alimentação. Aqui na zona não vejo ninguém a fornecer o sal. Se consultarmos a Internet só falam disso em sites brasileiros, o que pode ser uma particularidade de lá, que não seja necessária aqui. Para já não fornecemos, mas se souberem de alguma coisa, digam.

Cauda: há quem ate um cordel no inicio da cauda das ovelhas, bem apertado, quando os animais são pequenos e depois a cauda acaba por cair. Dizem que é por uma questão de higiene, assim não ficam com cauda suja quando evacuam. As nossas primeiras ovelhas estão com a cauda cortada, mas as mais recentes não. Para já vamos continuar a não cortar.

No geral, não nos arrependemos de ter as ovelhas, não têm dado problemas porque são poucas, porque têm comida e porque estão bem adaptadas a vida à “solta”. Ainda hoje as vimos a brincar, estavam felizes.

Acho que falei de tudo o que me lembrei, se tiverem alguma questão, digam.



2 comentários:

Horticasa hoticasa disse...

A minha mãe sempre teve ovelhas, nunca percebi se lhe dava sal, acho que não.
Noto que os filhotes estão magrinhos, não será o caso de arranjar ervas fora do quintal? agora a amamentar a mãe precisa de comer muito mais, lembro que eu tinha que apanhar montes de ervas, a pastagem não chegava, dia a minha mãe... todos os dias apanhava carros de mão cheios e levava, apanhava nas bermas agora há tanta erva.
beijinho e boa continuação

Horticasa hoticasa disse...

Queria escrever. Dizia a minha mãe